domingo, 1 de fevereiro de 2009

Apresentação

Cansei de ouvir reclamações de amigos inconformados com o fato de não conseguirem gostar de ler. Querem gostar, mas não conseguem. O que não faz o menor sentido. Eu entendo que alguém não goste de um ou outro autor, de um ou outro gênero literário, mas ‘não gostar de ler’ assim, em sentido amplo, é difícil de compreender. Os livros são muito diferentes entre si.

A primeira idéia que me vem à cabeça é a hipótese de desconhecimento. As pessoas não conhecem os livros, não são capazes de identificar aqueles dos quais poderiam gostar e tampouco sabem a quem pedir ajuda.

Outra possibilidade é a falta de hábito. Como todos, o hábito da leitura precisa ser cultivado. Pede local, hora, luz, posição do corpo. Tem quem goste de ler no ônibus, tem quem abomine. Tem quem goste de ler antes de dormir, tem quem caia no sono. Tem quem goste de ler nos cafés, tem quem precise de silêncio absoluto. Enfim, tem de tudo.

Há, ainda, o famigerado déficit de atenção. Em meio há tanta informação, estamos sempre com pressa, ansiosos por acompanhar tudo, não perder nada. Em vez de priorizar, nos atiramos à tarefa insensata, inglória e impossível de tentar dar conta de tudo. Perdemos o hábito da concentração.

Imagino que existam vários outros motivos, mas não acredito que nenhum deles seja forte o suficiente para vencer o prazer de se ler um bom livro. Por sorte, sou extremamente teimosa, portanto, é muito difícil que alguém consiga me convencer do contrário. Assim, lanço-me a essa tarefa insensata, impossível, mas, certamente, gloriosa, de tentar contaminar o mundo com o vírus da leitura.